14º Encontro da ABFR (Associação Brasileira de Frutas Raras)

14º Encontro da ABFR (Associação Brasileira de Frutas Raras)

 

Aconteceu no dia 5 de novembro de 2016 na cidade de Piracicaba / SP o 14º Encontro da ABFR – Associação Brasileira de Frutas Raras, assim como tem acontecido tradicionalmente desde 2002.

 

Mini Jambo Rosa

O evento foi realizado na ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz) e contou com presenças ilustres de nomes do segmento, como Edilson Giacom (proprietário do Viveiro de Plantas Ciprest), o professor universitário e um dos coordenadores do Grupo de Práticas em Fruticultura (GPF) Prof. Ângelo Pedro Jacomino e, é claro, a ilustríssima presença do Dr. Sérgio Sartori, grande colecionador de frutas e presidente da ABFR, além de inúmeros colecionadores de frutas e produtores rurais.

 

Entre as frutas apresentadas no evento as 2 que mais nos chamaram a atenção foram o Mini Jambo e o Caqui Selvagem. Junto ao evento foi realizado também o 1º Seminário de Frutas Nativas.

 

O Seminário:

Junto ao tradicional evento da ABFR foi realizado o 1º Seminário de Frutas Nativas, organizado pelos membros do Grupo de Práticas em Fruticultura da ESALQ (GPF). O seminário abordou principalmente a disseminação das frutas nativas através de melhoramento genético, padronização e pós-colheita, além de mostrar alguns estudos  que vem sendo realizados com estas frutíferas.

Dr. Sérgio Sartori (à direita) tirando uma dúvida sobre uvaia. Ao lado o Profº Ângelo Jacomino

O GPF vem realizando uma detalhada pesquisa com diversas frutas nativas com grande potencial para gerar renda, entre elas o cambuci, a cereja do Rio Grande, a jabuticaba Pohema, a grumixama e, finalmente, a uvaia.

No evento algumas alunas da ESALQ apresentaram dados sobre estudos recentes realizados com a uvaia que visavam listar novas variedades desta frutífera nativa e desenvolver sistemas de produção que beneficiarão produtores rurais (através da geração de renda), a indústria (através do fornecimento de matéria-prima) e o consumidor (através do consumo de novas frutas).

Diversas variedade diferentes de uvaia que estão sendo classificadas

Isso quer dizer que em breve “novas” frutas começarão a aparecer no mercado tanto de frutas frescas como diversos derivados que a utilização desta nova matéria-prima vai promover.

Além das pesquisas foram apresentados algumas ações sociais relacionadas com as frutas nativas. Uma destas ações foi a Rota do Cambuci, que é um projeto socio-ambiental fantástico desenvolvido pelo Instituto AUÁ, que tem o objetivo de produzir frutas nativas e transformar esta produção em atividade econômica para as comunidades que fazem parte desta rota.

André, representante do Instituto AUÁ

O projeto ajuda a promover a preservação do cambuci e de seu bioma (Mata Atlântica do Sudeste), valorizar a agricultura e a economia local, a agroecologia, o comércio justo e o turismo sustentável. Desde sua criação a Rota do Cambuci já gerou enorme impacto na região em que atua, aumentando o consumo da fruta, convertendo as terras agrícolas ao cultivo sustentável, aumentando a renda dos produtos rurais onde o fruto é endêmico e principalmente retirando o cambuci da lista das espécies nativas amaeças de extinsão (IUCN).

Outro projeto de destaque foi apresentado pelo Engenheiro Florestal Guilherme Faganello (Instituto Bioflora) que abordou um tema delicado e complexo: a “Lei de Proteção do Patrimônio Genético” e suas Implicações na Pesquisa e Produção de Frutas Nativas.

Guilherme apresentou um projeto realizado na região de Campinas onde foram plantadas várias faixas de espécies de árvores nativas da região se intercalando com árvores frutíferas também nativas. O resultado foi a recuperação de uma grande área, antes devastada pela produção agropecuária, e transformando em uma floresta nativa e ainda gerando renda aos produtores através dos frutos nativos.

O Engº Floresta Guilherme H. M. Faganello mostra o atual estágio de devastação de nossas florestas

Ainda em sua apresentação, Faganello trouxe uma visão assustadora e preocupante do atual estágio de devastação de nossas florestas desde o descobrimento, em 1500, até os dias de hoje e nos fez refletir sobre a importância e o nosso papel na recuperação destas áreas.

Ao final do evento houve a tradicional troca de mudas raras entre os presentes.

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